O Nintendo Direct de junho de 2026 rolou nesta terça (9), durou 50 minutos, ganhou uma Treehouse de quase 1h30 na sequência e despejou jogo atrás de jogo. Sem enrolação: vamos direto ao que importa, começando pelos anúncios que travaram a timeline e descendo até o último trailer da noite.
The Legend of Zelda: Ocarina of Time (remake)
A bomba que fechou a transmissão. O remake de Ocarina of Time apareceu sem nenhum vazamento crível antecipando, raridade nesses tempos em que tudo escapa antes da hora, com janela de lançamento ainda em 2026. O teaser não mostrou gameplay, mas brincou com a alma da franquia: uma tapeçaria desenrolando a Grande Árvore Deku, os Kokiri, o Link e a icônica Triforce, até revelar um visual novo, bem diferente tanto do original de N64 quanto da releitura de 3DS. Yoshiaki Koizumi, produtor e mestre de cerimônias do Direct, avisou que mais detalhes vêm em breve.
E que fique claro: não é remaster preguiçoso de textura lustrada. É remake reconstruído tijolo por tijolo, do jogo que praticamente todo ranking sério de "melhor de todos os tempos" enfia no topo. Lançado em 1998 no Nintendo 64, Ocarina of Time foi o primeiro Zelda em 3D e escreveu o manual de como uma aventura deveria funcionar naquela dimensão, o sistema de mira travada, o lendário Z-targeting, virou padrão da indústria inteira. Foi tipo o que Neon Genesis Evangelion fez com mecha: depois dele, o gênero teve que se reposicionar.
Curiosidade que dimensiona o hype: Ocarina of Time foi o primeiro game da história a cravar nota 99 no Metacritic, marca que segura até hoje como uma das maiores já registradas. Não é exagero de fã saudosista, é consenso crítico documentado há mais de 25 anos.
Kingdom Hearts 4
Saiu do limbo com força. O trailer trouxe gameplay e história de verdade: Sora encarando de novo um Heartless gigante no meio da cidade, com direito a uma integrante da Organização XIII dando as caras. A trama leva o herói à misteriosa Quadratum, onde, segundo a sinopse da Square Enix, novos rostos cruzam o caminho dele e novos poderes despertam. A galera que acompanha a saga desde o PlayStation 2 surtou coletivamente.
O ponto que mudou em relação ao esperado: KH4 não é exclusivo Nintendo. Chega day-one em Switch 2, PS5, Xbox Series X|S, Xbox no PC, Epic Games Store e Steam. Lançar tudo de uma vez é um recado e tanto. Pra contextualizar: Kingdom Hearts nasceu em 2002 daquela ideia que, no papel, era pra dar errado, juntar a turma da Square (Final Fantasy) com o universo Disney, comandados por Sora, Donald e Pateta. Deu tão certo que virou fenômeno, ao custo de uma linha do tempo tão emaranhada que explicá-la pra um iniciante é o mesmo desafio de resumir a ordem cronológica de Evangelion sem dar dor de cabeça em ninguém. Pra te ajudar a chegar preparado, uma coletânea com os clássicos da franquia foi confirmada pro Switch 2, com lançamento em 10 de outubro.
Final Fantasy Resonance
O coringa da noite. De surpresa, a Square anunciou um Final Fantasy inédito. E, melhor ainda, com combate por turnos, o primeiro do tipo na série principal em décadas. O visual é HD-2D, aquele estilo lindo dos Octopath Traveler, e a mecânica permite invocar protagonistas de outros FFs pra golpes especiais: o trailer já mostrou uma animação do Cloud, de Final Fantasy 7. Pra quem sente saudade da era dos turnos, foi de arrepiar. Chega em 22 de outubro pra Switch e Switch 2.
Xenoblade Genesis
A Monolith Soft entrou com um recomeço pra sua franquia de RPG, ambientado numa terra aquecida por seis sóis e com aquele visual chamativo de sempre. O anúncio veio logo depois de confirmarem que os três primeiros Xenoblade ganham edições para Switch 2 com novidades, ou seja, ótimo momento pra quem nunca embarcou na série pôr a leitura em dia. Xenoblade Genesis fica pra 2027.
Stellar Blade e Dragon's Dogma 2: o músculo do Switch 2
Dois recados sobre o fôlego do hardware novo. Stellar Blade, que muita gente jurava preso ao PlayStation, aterrissa no Switch 2 ainda em 2026. E Dragon's Dogma 2: Dark Arisen, a versão expandida do RPG da Capcom chega em 9 de outubro, sinal de que a produtora está levando o aparelho a sério.
Quais foram os outros anúncios da enxurrada?
O resto do Direct ainda derrubava queixo. Dois rumores que dominavam as previsões antes do evento finalmente saíram do armário: The Duskbloods e Fire Emblem: Fortune's Weave. Quem joga o cozy Pokémon Pokopia ganhou um Expansion Pass, update grátis com a skill Dive em 26 de agosto e o DLC pago "Bubbly Basin", uma cidade subaquática com Pokémon de água e Manaphy como lendário da área. E ainda choveram retornos e novidades: Onimusha: Way of the Sword (25 de setembro), Rayman Legends Retold com os mapas musicais clássicos e quatro músicas inéditas (1º de outubro), Lies of P: Complete Edition com a expansão inclusa (6 de agosto), Lords of the Fallen II (2026), Devil May Cry 5: Devil Hunter Edition, Muramasa: Revenant Blades, Jujutsu Kaisen: Rumble Survivaton, Ninjala 2, Pikuniku 2, Dragon Quest Monsters: The Withered World, Splatoon Raiders, RuneScape: Dragonwilds, Metaphor: ReFantazio com edição steelbook pro Switch 2, um novo Star Fox, o DLC "Super Mario Bros." Collab de Donkey Kong Bananza e até Minecraft marcando presença.
Quando cada jogo chega? A tabela-resumo
Pra você não se perder no meio de tanta data voando feito shuriken, segue o mapa do que rolou:
Jogo | Plataforma(s) | Lançamento |
|---|---|---|
Deltarune Chapter 5 (update grátis) | Switch / Switch 2 | 24 de junho |
Rhythm Heaven Groove | Nintendo Switch | 2 de julho |
Lies of P: Complete Edition | Switch (e multiplataforma) | 6 de agosto |
Pokémon Pokopia: Expansion Pass (Dive) | Switch / Switch 2 | 26 de agosto |
Onimusha: Way of the Sword | Switch 2, PC, PS5, Xbox | 25 de setembro |
Rayman Legends Retold | Switch 2, PC, PS5, Xbox | 1º de outubro |
Dragon's Dogma 2: Dark Arisen | Nintendo Switch 2 | 9 de outubro |
Kingdom Hearts (coletânea clássica) | Nintendo Switch 2 | 10 de outubro |
Final Fantasy Resonance | Switch / Switch 2 | 22 de outubro |
Nintendo Switch Sports Resort | Nintendo Switch 2 | 22 de outubro |
One Piece: Grand Gourmet | Switch, Switch 2, mobile, PC | 23 de outubro |
Stellar Blade | Nintendo Switch 2 | 2026 |
Kingdom Hearts 4 | Switch 2, PS5, Xbox, PC (day-one) | a confirmar |
Lords of the Fallen II | Switch 2, PC, PS5, Xbox | 2026 (sem data) |
The Legend of Zelda: Ocarina of Time (remake) | Nintendo (a confirmar) | 2026 |
Xenoblade Genesis | Nintendo Switch 2 | 2027 |
The Duskbloods / Fire Emblem: Fortune's Weave | Nintendo Switch 2 | a confirmar |
Esse Switch atual vai ficar pra trás?
Por enquanto, não, e a Nintendo fez questão de cravar isso nas entrelinhas. Em vez de empurrar geral goela abaixo pro Switch 2, ela jogou conteúdo pro Switch original (Rhythm Heaven Groove, o update de Deltarune, Lies of P) e reservou as experiências mais parrudas pro hardware novo. É a transição entre gerações no modo gradual: a base instalada do Switch original é gigantesca, e largá-la na pressa seria dar um tiro no próprio pé. O Switch 2 vira o foco sem mandar o veterano pra geladeira tão cedo.
Por que isso pesa diferente pro brasileiro?
Aqui mora o ponto que nenhum site gringo cobre com a mesma alma. Pra geração BR, Ocarina of Time quase nunca foi cartucho original na estante, o Nintendo 64 era artigo de luxo importado, e a lenda do jogo se construiu no boca a boca da escola, no fim de semana na locadora alugando o cartucho por horas contadas e, sejamos honestos, no emulador rodando em PC de internet discada. Muita gente conhece o jogo de cor sem nunca ter encostado numa cópia legítima.
Um remake oficial vira esse jogo de cabeça pra baixo: finalmente explorar Hyrule em alta resolução, com chance real de vir dublado e legendado em português, a Nintendo vem investindo cada vez mais em localização por aqui. O contrapeso é o bolso: o preço do Switch 2 em real ainda dói, e somar um first-party deixa a conta salgada. Mas é justamente esse tipo de anúncio, que cutuca a memória afetiva, que faz o cofrinho começar a parecer uma boa ideia. Pra muito brasileiro, Ocarina of Time não é só mais um remake: é fechar um portal que ficou aberto pela metade lá atrás.